psicomotricidade
A Associação Brasileira de Psicomotricidade define a Psicomotricidade como “uma ciência que tem como objetivo, o estudo do homem através do seu corpo em movimento, em relação ao seu mundo interno e externo, bem como suas possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito, cuja ação é resultante de sua individualidade e sua socialização”.
Diante da importância dos pressupostos teóricos e práticos da psicomotricidade acreditamos na necessidade de enfatizar a atividade lúdica espontânea e da comunicação corporal afetiva na formação da saúde psicoafetiva da criança.
Os elementos básicos necessários para uma boa aprendizagem constituem a estrutura da educação psicomotora. Uma criança cujo esquema corporal é mal constituído tem os movimentos, as habilidades manuais, a caligrafia e a leitura expressiva, comprometidos. Quando a lateralidade não está bem definida não percebe a diferença entre a esquerda e a direita e é incapaz de seguir a diferença de grafia. Uma má organização espacial ou temporal acarreta dificuldades em matemática e confusão na ordenação dos elementos de uma sílaba, prejudicando a análise gramatical.
A psicomotricidade é antes de tudo, uma intervenção educacional ou terapêutica que através da atividade corporal e sua expressão simbólica atua sobre a globalidade do ser com o objetivo de aumentar a capacidade de interação do sujeito com o meio. O corpo é o objeto de estudo, e a referência para as relações motoras, afetivas e emocionais experimentadas pelo sujeito, relacionando movimento ao afeto, à emoção e ao ambiente. Além de associar o desenvolvimento psicomotriz, cognitivo e a formação da personalidade.
A psicomotricidade trabalha a educação psicomotora, a reeducação psicomotora e a terapia psicomotora. Ela se divide em tradicional e relacional. Ambas trabalham a criança para o aprendizado e têm um caráter preventivo, quando ainda não existe um sintoma, para que não ocorram dificuldades futuras. A tradicional tem uma diretividade, uma programação de exercícios preparados, as regras dos jogos são preestabelecidas; a relacional trabalha o corpo como um todo, o jogo é livre, espontâneo e criativo, simbólico, não tem técnicas, a criança pode criar livremente.
A terapia psicomotora trabalha as áreas: afetiva, motora e cognitiva. A prioridade não é a linguagem verbal, mas sim a linguagem corporal. Não é aconselhável os modelos psicomotores tradicionais. Através do material, a criança brinca do jeito que quiser, liberando sua agressividade. Facilita a evolução do jogo para o simbólico. A criança sai da inibição passa por um caminho de agressividade descupabilizado e para um caminho da individualização conseguindo lidar melhor com experiências traumáticas particulares e suas sequelas.
Acreditamos na psicomotricidade como sendo a busca pelo equilíbrio, pela aceitação e pelas diferenças. Aliada à pedagogia ela favorece a organização corporal, mental e psicoafetiva, a conquista da autonomia afetiva e intelectual da criança. Segundo Vítor da Fonseca (1996.p.105). “O corpo é objeto total da relação. Vivendo seu corpo, reconhecendo-o espacializado a criança obtém melhores dados de referência podendo adquirir condições de resposta às situações concretas de seu envolvimento (casa, rua, grupo, jogo, escrita, leitura, cálculos, etc.)”.
Vários materiais como o corpo, colchonetes, bolas, balões, bambolês, aros, cordas, espaguetes, blocos de espuma, papéis, lenços, lençóis, argila, instrumentos musicais, fantoches, livros de histórias, são oferecidos à criança como mediadores da comunicação. O corpo é o mais importante. Eles têm função simbólica e servem de pretexto para que se estabeleça as relações consigo mesmas, com o outro e com o espaço.
Os objetos reais são transformados em objetos simbólicos. As crianças expressam seus desejos, seus sentimentos, suas emoções e suas fantasias manifestando tudo aquilo que viveu ou vive e não consegue expressar diante do adulto. A especialista em Psicomotricidade é a representante da lei. Facilita o jogo simbólico, aceitando a criança como ela é. O limite é dado sem autoritarismo evitando reprimir as crianças e permitindo que elas elaborem seus conflitos num ambiente permissivo e desculpabilizante.
O adulto deve estar atento a todas as demandas que veem da criança seja através do corpo e de sua expressão para ser capaz de fazer como nos ensina André Lapierre,(2002.p.16) “uma intervenção direta junto a criança que permita estabelecer com ela uma relação de ajuda, cujo objetivo seja o de favorecer a resolução de seus problemas relacionais.”
Especialistas em Psicomotricidade:
Marly Margareth Machado de Souza | Denise Mafia Latini





